Duas oportunidades para os paulistanos verem Portinari
Até o dia 11 de julho, os paulistans poderão deliciar-se com a exposição No ateliê de Portinari (1920-45), no MAM. E os fãs devem esperar por mais: Guerra e Paz virão a São Paulo, pela primeira vez.
DivulgaçãoNo Ateliê de Portinari (1920-45)
Quando nos deparamos com uma exposição de algum grande nome da pintura – caso de Cândido Portinari, um dos mais célebres pintores brasileiros de todos os tempos – sempre esperamos que seja uma grande retrospectiva de toda sua obra. Não é isso que propõe o MAM.
A exposição No Ateliê de Portinari (1920-45) foi concebida como recorte de uma fase de sua carreira, especificamente seu período de formação, vivida entre o Rio e Paris. O fio condutor é a busca de uma linguagem própria, enquanto o artista perambula por uma multiplicidade de estilos e temas, ainda sem uma feição própria.
DivulgaçãoA curadoria é de Annateresa Fabris, que, de acordo com o filho de Portinari, João Cândido, é a “intelectual que melhor entende a obra do meu pai”.
Apesar de toda mostra deixar qualquer fã de Portinari de queixo caído, um dos destaques é a exposição das (raras) obras abstratas do pintor. Apesar de não acreditar na “arte que fugia do assunto”, Portinari aventurou-se pelo gênero, e os resultados estão lá, na parede do MAM, para todos verem.
Serviço
No Ateliê de Portinari (1920-45)
De 14 de julho a 11 de setembro de 2011
MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo
Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3)
Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
Ingresso: R$ 5,50
Guerra e Paz a caminho de São Paulo
Guerra e Paz são dois gigantescos painéis pintados por Cândido Portinari especialmente para a sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.
Entre 1952 e 1956, um Portinari já bastante intoxicado pel chumbo da tinta a óleo trabalhou incessantemente para entregar os painéis, de 14 por 10 metros. Apesar disso, tragicamente, o pintor não pôde presenciar sua inauguração, pois, por sua ligação ao Partido Comunista, não obteve autorização do governo americano para entrar no país.
Por estarem instaladas no hall de entrada da Assembleia Geral da ONU as obras não são acessíveis ao grande público. Porém, quando o filho João Cândido Portinari, filho do grande pintor, descobriu que a sede da ONU iria passar por uma reforma entre 2010 e 2013, vislumbrou uma excelente oportunidade de mostrar as obras ao mundo. A contrapartida? Devolver as obras devidamente restauradas.
A restauração, iniciativa do Projeto Portinari, foi custeada pelo apoio do governo brasileiro, do BNDES e de outras entidades. O ateliê em que ocorreu o processo de restauro era aberto ao público, montado no Palácio Gustavo Capanema.
E adivinhe qual cidade vai ser a primeira a receber as obras restauradas? Se você respondeu “São Paulo”, acertou. A cidade receberá uma mostra especial, que, além das obras Guerra e Paz restauradas, trará ainda cerca de cem esboços originais das obras, audiovisuais contando as dificuldades de remoção e transporte das obras para o Brasil, e documentários sobre a vida de Cândido Portinari.
No último dia 14, João C. Portinari esteve no Memorial da América Latina para analisar a possibilidade de realizar a exposição no famoso Salão dos Atos do local. Além de destacar que o tamanho do local seria um dos poucos apropriados para as dimensões colossais das obras (o pé direito do Salão dos Atos é de 30 metros), João ainda acrescentou que“lá já tem o painel Tiradentes, pintado por meu pai um pouco antes, em 1949, com quem Guerra e Paz dialogaria muito bem”.
O Projeto Portinari
Sílas Martí, da Folha de São Paulo, cita o Projeto Portinari como contraponto à deplorável situação das demais coleções de obras de grandes artistas brasileiros. Além da ambiciosa empreitada (até agora bem sucedida) com as obras Guerra e Paz, concluiu, em 2004, um portfólio raisonné da obra de Portinari, além de disponibilizar online farta documentação sobre o artista.
Esse post foi uma sugestão da querida leitora Beatriz Guimarães, @outraguimaraes. Valeu!

4 comentários »
E você, o que acha?




Muito obrigada pela postagem, Juliana, pois acredito que seja uma oportunidade para conhecer melhor um dos nossos maiores artistas plásticos. E não só por esta matéria, mas por todo o trabalho que você tem desenvolvido através desse site. Parabéns!
Ótima e necessária informação… seus posts são riquezas… adoro! Estou aprendendo muito com vc…
Bjs…
Rita Barroso
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http://blogdachickitabakana.blogspot.com/
Rita,
Fico super feliz que você gostou! Volte sempre!
E, claro: seus comentários são sempre bem vindos!
Beijos!
Eu fui ver a exposição No Ateliê de Portinari há alguns dias e foi uma ótima experiência, isto porque compreender o percurso artístico de um artista é algo genial, lhes digo que por mim a maioria das exposições deveriam ter este mote.
É uma abordagem que permite tanto a fruição como um olhar mais técnico e nos ensina muito sobre processo do desenvolvimento de uma linguagem, fundamental para quem estuda ou se interessa por arte.