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Home » Artes visuais, Trocando em Miúdos

Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?

Hora de trocar em miúdos da art nouveau, que com certeza você já ouviu falar algumas vezes por aí.

A art nouveau  é um estilo artístico que interessa mais para as artes aplicadas (como a arquitetura, o design e as artes decorativas, por exemplo).

 

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?Alfons Mucha | Domínio Público

 

Na verdade, o art nouveau é conhecido por uma série de outros nomes, como jugendstil, modernista, secession, estilo Glasgow, estilo Liberty, stile Floreale ou Szecesszió. Isso porque ele desenvolveu-se em vários países, recebendo nomes em diferentes línguas. Contudo, o nome que (em geral) é usado na atualidade para referir-se a esse estilo é art nouveau.

Basicamente, ele surgiu logo após um período de industrialização na Europa, em que as pessoas buscavam trazer de volta a “humanidade e a natureza” – e também, aumentar o luxo de alguns ambientes, na belle époque europeia. Como as técnicas para manipular materiais como o ferro e o vidro estavam mais avançadas, era possível criar as linhas sinuosas e formas orgânicas necessárias para reproduzir formas da natureza na arquitetura e em objetos cotidianos.

 

Contexto

A art nouveau se desenvolveu durante a chamada belle époque - entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na Europa e nos Estados Unidos, para depois espalhar-se – com adaptações – a outros locais do mundo.

 

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?Europeana | Creative Commons

 

É interessante notar a influência que o contexto social e histórico teve sobre o desenvolvimento da art nouveau. Para isso, vamos pensar no que acontecia na Europa naquele tempo:

• industrialização: a Europa havia acabado de passar pelo seu boom industrial – e muitas pessoas, como o pensador William Morris (1834-1896) acreditavam que essa industrialização trazia a desumanização, e desvalorizava a beleza, já que os materiais industrializados teriam acabamento menos sofisticados. Assim, a art nouveau valorizava as formas orgânicas e os acabamentos refinados, uma forma de “humanizar” a sociedade moderna.

• avanço tecnológico: que permitia a manipulação mais completa e detalhista de materiais como vidro e ferro.

• contato com o Japão: o afastamento entre o Japão e o mundo ocidental acabou no meio do século XIX, e subitamente a paixão pela arte e cultura japonesa – o japonismo - tornou-se moda na Europa.

• avanço na biologia e na botânica: no século XIX, as ciências biológicas sofreram um grande avanço, e os homens passaram a compreender melhor os seres que compõem a natureza. Isso não apenas tornou esse um tema em voga, central na art nouveau, como permitiu maior fidelidade na representação das formas da natureza.

 

Características

Independentemente de sua aplicação – na elaboração de uma janela para uma casa, ou de uma gravura para um anúncio – a art nouveau sempre apresenta algumas características:

• linhas sinuosas

• formas orgânicas

• presença de elementos naturais, sobretudo folhas, flores, libélulas, pássaros, crustáceos e peixes

• subjetividade e simbolismo, com obras remetendo para o mundo dos sonhos, e, muitas vezes, do erotismo

 

Art Nouveau no Brasil

Se você ficou interessado em conhecer mais do art nouveau, você não precisa ir para a França ou o Bélgica ver o estilo de perto. Dá para ver alguns interessantes exemplos, aqui no Brasil mesmo.

Evidentemente, o art nouveau desenvolvido no nosso país não pode ser considerado igual ao europeu. Os contextos são completamente diferentes – enquanto a Europa utilizava-se das suas novas técnicas industriais para criar formas que contestavam justamente a “industrialização da arte”, no Brasil a aplicação do art nouveau vinha sobretudo da burguesia ascendente, que buscava imitar a Europa – importante, evidentemente, boa parte das peças de art nouveau do velho continente.

Assim, no Brasil, houve um desequilíbrio entre a forma e o conteúdo do art nouveau, sendo que o primeiro acabou predominando. Dessa forma, o mais essencial na aplicação do estilo aqui era a apresentação (muitas vezes, meramente decorativa) de elementos que remetessem ao art nouveau, muitas vezes mesclados com outros estilos posteriores também considerados “chiques”.

Como consequência, dificilmente você encontrará um “art nouveau puro” – mais comumente será possível encontrar elementos que remetem ao art nouveau em outros estilos, como o ecletismo.

 

Art nouveau no Rio de Janeiro

Um dos melhores exemplos de art nouveau na cidade do Rio de Janeiro é a Confeitaria Colombo, que fica na R. Gonçalvez Dias, 32. Aberta em 1894, a construção foi inspirada pelas grandes casas de chás europeias, e é recheada de elementos de art nouveau: desde os desenhos curvilíneos do vitral no seu teto (que aliás, remete ao famoso vitral das Galeries Lafayette, em Paris), até os móveis e balcões.

 

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?Plinio Bordin

 

Outro exemplo marcante é a Casa Vilino Silveira, que fica ao lado da prédio da extinta TV Manchete. Ela foi projetada em 1915 pelo italiano Antonio Virzi (1882-1954), um dos maiores representantes da art nouveau na cidade maravilhosa. Apesar de ser uma das construções com a maior quantidade de elementos do estilo – incluindo as colunas retorcidas, a grade sinuosa e a escadaria principal – essa casa traz também elementos do renascimento italiano e gárgulas góticas.

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?

 

Outro singelo exemplo é o Relógio da Glória, instalado na Rua da Glória em frente à Rua Cândido Mendes. O bonito relógio de inspiracão art nouveau, com suas linhas sinuosas e decoração floral, foi inaugurado em 1905.

 

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?

 

Nossos pontos selecionados de art nouveau do Rio de Janeiro, no mapa:

View Art Nouveau no Rio de Janeiro in a larger map

 

Art nouveau em São Paulo

Com o enriquecimento dos barões do café na virada do século XIX para o XX, a ascendente burguesia paulista desejava converter a cidade em um equivalente às grandes metrópoles europeias – e, como não podia deixar de ser, se aproveitaram do emprego dos elementos do art nouveau para dar aquela “europeizada” no visual da cidade.

Por isso mesmo, podemos encontrar muitos exemplos de elementos do art nouveau em São Paulo.

Para os paulistanos ou visitantes da terra da garoa que desejam conhecer mais do estilo, uma parada obrigatória é o Museu da Casa Brasileira, na Faria Lima. Apesar da construção em si ser no estilo neoclássico, a antiga residência de Fábio Silva Prado, ex-prefeito de São Paulo, abriga hoje uma vasta coleção de mobiliário e objetos decorativos, que incluem brilhantes exemplos de peças do art nouveau - a maioria trazida diretamente da Europa.

Um dos melhores exemplares arquitetônicos na cidade é o Colégio Santa Inês, localizado no Bom Retiro. A construção, muito bem conservada, data da primeira década do século XX, e conta com uma fachada no melhor estilo art nouveau, com direito a um belo portão de linhas sinuosas.

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?PreservaSP.org.br

 

Outro belíssimo exemplo na capital paulista é o famoso Castelinho da Brigadeiro, projetado pelo arquiteto Giuseppe Sachetti e erguido entre 1907 e 1911. No início da década, essa casa com traços art nouveau passou por uma reforma de 2 milhões de reais, o que explica seu excelente estado de conservação.

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?vcheregati | Creative Commons

 

Outro ponto imperdível é a Vila Penteado, construção que hoje pertence à USP. Localizada no bairro de Higienópolis, a casa foi projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman e construída em 1902, para abrigar duas importantes famílias paulistas, a do Conde Antonio Álvares Penteado e a de seu genro, Antônio Prado Junior.

 

 Trocando em Miúdos: O que é Art Nouveau?

 

Você pode conferir os endereços desses pontos de art nouveau, além de alguns outros, no mapa de São Paulo abaixo:

 


View Art Nouveau em São Paulo in a larger map

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Um comentário »

  • André Felipe says:
    16/02/2012 at 16:54

    Eu ando numa pegada Art Nouveau faz umas semanas, não sei dizer por que. Até comprei livro do Klimt recentemente e tenho prestado cada vez mais atenção nas curvas e linhas ao meu redor. Surpresa boa encontrar esse artigo por aqui! Vai ver é alguma onda neo-secessionista batendo no mundo em 2012 – algum mal du siècle pelo fim do mundo, talvez? =P

    Responda a esse comentário »

1 Pingbacks »

  • [Crítica] A Invenção de Hugo Cabret says:
    23/02/2012 at 16:54

    [...] a trama, ambientada na Paris pós-Primeira Guerra Mundial. A cenografia traz inspiração clara do art nouveau - não apenas, naturalmente, na arquitetura predominante na época, como na própria construção [...]

    Responda a esse pingback »

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