Lust for Life: Espetáculo Pornô Falcatrua em cartaz no Studio SP Vila Madalena
Uma peça muito louca – e muito boa – está em cartaz no Studio SP Vila Madalena: Pornô – Falcatrua nº 18.633.
Em uma espécie de teatro onírico, os personagens desfilam seus vícios, desejos, rancores, sonhos e delírios. O espetáculo é baseado no livro Pornô, de Irvine Welsh, uma continuação do polêmico livro Trainspotting, que se tornou um clássico do cinema contemporâneo ao ser adaptado e levado às telas por Danny Boyle, em 1996.
Ariel Martini | DivulgaçãoPornô mostra a vida dos desvirtuados personagens dez anos após a trama passada em Trainspotting, quando eles seguem à beira da marginalidade, envolvidos em trapaças e trambiques movidos a sexo, drogas e rock and roll: a ideia da trupe, ou melhor, de Sick Boy (Sérgio Guizé, em ótima atuação) é, como indica o título da peça, criar uma produtora de filmes pornôs. Sick Boy, aliás, lembra o personagem de Al Pacino em Scarface (1983), o traficante Tony Montana, tanto no figurino quanto no hábito de enfiar o rosto em uma montanha de cocaína.
Os atores, vale destacar, atuam com entrega e paixão, como pede o texto. A direção de Gustavo Machado traz elementos de vídeo, dança e teatro, e flui de maneira precisa, no limite entre a informalidade que permeia a encenação e a precisão de se levar a cabo um projeto tão livre e inusitado em sua apresentação.
Um detalhe que colabora com a singularidade do espetáculo é o fato de ser encenado no Studio SP, que, na verdade, não é um teatro propriamente dito: com uma pista de dança no centro, um coreto onde bandas e artistas da cena independente se apresentam em uma das extremidades, e um bar na outra, permite uma interação entre atores e plateia. Tudo é cenário. Inclusive o público, que fica acomodado entre cadeiras e poltronas espalhadas pelo ambiente, e também nas arquibancadas móveis instaladas.
Aos poucos os atores entram em cena, misturando-se à plateia, numa interação pulsante, ora com sorrisos, provocações e danças sobre cada um dos pequenos pulpitos que formam o cenário, ora com cenas antológicas, como os monólogos de Spud (Fábio Okc) e uma hilária orgia movida a pênis de borracha e estrelismos do diretor que a filmava.
Desejo de liberdade, quebra de padrões, ojeriza a róulos, desmistificação do sexo, arrependimento, emoção, gozo: lust for life.
No texto de apresentação do diretor Gustavo Machado o resumo desse espetáculo que traz humor, ardor, pavor, malandragem e esplendor na dose precisa:
Ariel Martini | Divulgação“(…) Instituições e valores em geral que já não apaziguam mais nossos demônios, já não ordenam nosso Kaos, muito pelo contrário, se tornaram pesadelos com os quais não se pode lidar sem revolta, de ‘cara limpa’, pois não passam de sonhos de gerações passadas (passadíssimas!) que deram errado, e constituem as grandes peças dessa ‘Engrenagem’ social e cruel e opressora que mantém a Vida amarrada, a energia vital n. Não há paraíso depois daqui, portanto a hora da festa é Agora! Não há inferno, nem punição, portanto, pra que tanta culpa? (…) ‘Seja marginal, seja herói’. A marginalidade é inerente aos nossos herois de Pornô. As pessoas são o que são, o que não quer dizer nada, mas aqui diz tudo. Quando alguém parece estar cheio de razão, no lance seguinte já não a tem. (…) Contradições humanas, pulhas deliciosos, escroques dulcíssimos, perdedores cheios de talento, piranhas românticas, imbecis iluminados, Pessoas-paradoxos (e quem não é?), prato cheio pra gente que é de teatro e é viciado no ser humano no que ele tem de mais contraditório. O ser e o não ser, o justo e o bizarro convivendo lado a lado no mesmo coração quente e cheio de ódio (justificado ou não), cheio de amor pra dar.”
Vá com o coração aberto e ânimo redobrado, pois depois da peça as cadeiras são retiradas, o cenário desfeito e tem vez uma balada, comandada por dois dos integrantes do elenco (Abhiyana e Fábio Ock).
O elenco é completado por Ana Nero, Fernando Fechhio, Pablo Sgarbi, Ravel Cabral e Sofia Botelho.
Serviço
Pornô – Falcatrua Nº 18.633
Até 28 de março de 2012
Studio SP – Vila Madalena
R. Inácio Pereira da Rocha, 170
Às quintas-feiras, às 22h
Ingressos: R$ 40 (porta) / R$ 20 (lista)



