O FalaCultura nasceu da necessidade de criar algo novo, que pudesse abordar a arte além de seu papel como fonte de entretenimento. Algo novo que pudesse encarar a arte como uma expressão das tendências sociais, e também como uma possibilidade de crítica a essas instâncias, através de um jornalismo cultural mais vivo, provocador e criativo.
Nossa ideia é inovar, fugir dos modelos tradicionais. Em um mundo em que a dinamização do tempo e do espaço sobrepõe-se à necessidade de análise crítica, nossa missão é construir um espaço de reflexão cultural, que não seja uma cobertura de agenda presa passivamente às programações de estreias, lançamentos e vernissages. Ao mesmo tempo, esse exercício de análise não pode vir carregado de tecnicismos e erudições, mas através de uma linguagem dinâmica e atraente.
Diante do atual cenário, com um excesso de opções culturais e, paradoxalmente, pouco acesso à cultura, nossa meta é construir um espaço que una reflexão e acessibilidade, sem cair na superficialidade ou no hermetismo. Um espaço aberto às novas experiências e visões, trazendo informações pertinentes à construção de novas ideias. Um espaço para falar cultura.
Arte como foco
O jornalismo cultural deve moldar-se de acordo com uma problemática constante: a abrangência do sentido de cultura. Tudo que é não é natural seria cultural? Nesse caso, como definir aquilo que deve ser assunto do chamado jornalismo cultural?
No FalaCultura, optamos por abordar as manifestações artísticas, em suas mais diversas formas, bem como assuntos relacionados diretamente à arte. Sobretudo, buscamos enfatizar a relação entre todas as formas de arte, que são complementares e, muitas vezes, difíceis de classificar.
Democratização Cultural e Democratização da Cultura
Duas de nossas principais missões são incentivar a democratização cultural e a democratização da cultura.
Encaramos a democratização da cultura como a aceitação, sem discriminação, das manifestações artísticas das mais diversas origens. Um dos principais desafios atuais da democratização da cultura é a valorização da cultura popular em suas diferentes expressões – em contraponto ao recorrente estigma de “inferioridade” destas em relação a expressões mais tradicionais. Nós do FalaCultura queremos participar ativamente da difusão das mais diversas formas de cultura – afinal, um espaço tomado pela diversidade é um espaço verdadeiramente rico.
Contudo, de pouco adianta a democratização da cultura sem a democratização cultural, ou seja, acessibilidade dos equipamentos culturais, tornando-os parte da vida da população como um todo.
Todavia, a acessibilidade não pode ser confundida com disponibilidade. Só porque as pessoas podem ir a uma exposição ou assistir à uma peça de graça não significa que elas o farão. É preciso tornar o acesso à cultura mais do que uma possibilidade.
Nesse sentido, nós vemos a palavra “acessibilidade” de uma forma muita mais ambiciosa: mais do que disponibilizar os equipamentos, a de concretizar o acesso, retirando todos os empecilhos para o pleno acesso à cultura.
O saber cultural
Os obstáculos para o acesso à cultura, no nosso país, são múltiplos: da dificuldade de acesso aos equipamentos culturais ao elevado preço de ingressos. Ao nosso ver, contudo, o principal desafio a ser vencido para a democratização cultural é a concentração do saber cultural.
O saber cultural é uma bagagem de referências que tornam a apreciação das manifestações artísticas mais completa e estimulante. Saber é emancipar-se. Enquanto o saber cultural não for difundido, de pouco adiantará a existência de manifestações culturais acessíveis.
Da mesma forma, não acreditamos que a produção e publicação de conteúdo relevante e de qualidade seja o suficiente. É preciso criar mecanismos para trazer o público menos familiarizado – como, por exemplo, matérias divertidas ou engraçadas, focadas em curiosidades de manifestações artísticas, que podem servir de portas de entrada para a análise mais crítica ou um aprofundamento nos assuntos artísticos.
No meio cultural, é comum que tanto a imprensa especializada quanto os equipamentos culturais acabem utilizando-se de vocabulário e linguagem voltados exclusivamente para os “já iniciados” nesse universo – ou seja, o hábito de “pregar para os convertidos”. Nós defendemos uma linguagem que leve a cultura para todos – tanto para os que já são apaixonados pelo universo cultural, quanto para aqueles que, por enquanto, estão só flertando.



